O LEGADO DA ESCOLA “AVE-MARIA” NOS SEUS ALUNOS


Chamo-me José Manuel Menano Seruya - José Manuel S. nos tempos que vivi na nossa Escola, entre 1961 e 1967 – e tenho hoje 51 anos. Os meus três filhos mais velhos, Margarida, Lourenço e Frederico, frequentaram esta Escola, da Infantil ao 6º ano. A minha quarta filha, a Sofia, está agora no 3º ano, e mantém-me ligado de uma forma especial (já com alguma baba à mistura, confesso...), mais de quarenta anos depois, a esta realidade que continua a ser na minha vida a Escola “Ave-Maria”.

Realidade esta que muito estimo, não só pela imensidão de afectos em relação a pessoas concretas, mas também por reconhecer na minha vida a importância efectiva que a Escola nela teve, a vários títulos: na aprendizagem da Fé cristã, em complemento da insubstituível vivência familiar; no meu gosto pela leitura, pelos livros, e pela escrita; no saber escrever e falar Francês; na consciência do que significa respeito pelos professores e pela inestimável tarefa da educação; na consideração pela disciplina pessoal, pelo aprumo e asseio, pelo património, de todo o tipo, que nos é confiado; na compreensão do que é castigar e premiar, duas posturas tão difíceis de concretizar com amor, verdade e justiça; no gosto pela tradição, pela continuidade daquilo que é verdadeiramente importante na vida. E tanto mais, certamente, que me marcou, e marca, e que me faz falta ainda descobrir...

Há cerca de um ano atrás, a Maria Miguel, actual Directora Pedagógica, colocou-me o desafio de relançar a “Associação dos Antigos Alunos”, cujos Estatutos remontam à sua fundação em 22 de Julho de 1959 – uma data não fortuita, pois se trata do aniversário do nascimento da Minhana. Ainda balbuciei qualquer coisa de pouco convicto sobre a minha indisponibilidade para tamanho desafio, avançando com a razão de me estar a doutorar. Mas não disse que não... pois nem saberia como dizê-lo! Entretanto, lá conclui o doutoramento, e passado algum tempo, a Maria Miguel recordou-me o seu convite para “agarrar” a AAA. Já sem o fardo do doutoramento, que outra desculpa poderia eu arranjar?!?

Encontrei-me a certa altura com o Jorge Nogueira Vaz, que vinha pegando desde há uns anos na Associação, com quem tive o gosto de dialogar sobre um passado comum – o dele, convenhamos, “mais passado” ainda que o meu. Até ele achou bem que eu (que ele não conhecia, aliás) pegasse nesta “coisa” e avançasse. A sua ajuda vai ser-me preciosa, até porque não tenho qualquer “programa” definido para a AAA... nem me vou tentar a fazê-lo, apesar do ano de 2009 ser propício a constantes e diversificadas “promessas eleitorais”! Nessa reunião esteve também presente, para além da Maria Miguel, o Henrique Moller. Também ele me ajudou a sentir um gosto genuíno em “fazer qualquer coisa” com os Antigos Alunos. E tudo disponibilizou, em nome da Fundação José de Almeida Eusébio, para que ... nem por aí eu pudesse limitar a minha ambição!

Qual é o sentido que tem para mim relançar a AAA, onde é que isso encaixa no meu projecto de vida? A resposta, em síntese, é: viver o legado da Escola, hoje, e estimular outros a fazê-lo. Sem limitações à partida no que se refere às formas de concretização. Atrai-me a ideia de fazer memória viva do projecto educativo “Ave-Maria”, através de experiências de relacionamento entre alunos, professores, directores, que contribuam para nos desenvolvermos como pessoas. Reviver a paixão da educação – que a Minhana tão brilhantemente personificou – crescendo na compreensão desta experiência humana elementar e fundamental que foi / é a “Ave-Maria”.

Não me dá sentido avançar por almoços ou jantares de convívio tout court. E, acreditem, eu sou dos que adoram, mesmo, comer e beber, sobretudo na companhia de gente com quem tenho afinidades... Estou mais voltado para outros “eventos”, que até podem incluir alguma actividade gastronómica, mas que procurarão sobretudo permitir às pessoas o reconhecimento e a valorização desse legado da “Ave-Maria” nas suas vidas. Sem também fazer destas vivências meras trocas de recordações – tão importantes que elas são!

Não me dá sentido, por outro lado, fazer disto uma caminhada a sós. Este “projecto” tem para mim sentido se e só se for uma experiência de encontro com outras pessoas. Pessoas que se sintam motivadas para partilhar um caminho sem prazo e sem meta concreta. Que queiram utilizar algum do seu tempo nesta “aventura”, ainda sem outras referências que não sejam o ponto de partida comum: a pertença à Escola “Ave-Maria”.

Conto desde já com todos os que queiram colaborar: comunicando, propondo, organizando, rezando, são algumas das modalidades possíveis.

O meu email é jseruya@gmail.com; o meu telemóvel é o 919640680. Estamos em contacto, portanto, desde já.

Um abraço forte do

José Manuel Seruya
2009-01-27